“A Santa Casa ficou órfã naquele dia”, diz o cardiologista Paulo César de Araújo Rangel ao lembrar a morte de Tancredo de Almeida Neves, em 21 de abril de 1985. Hoje, mais de três décadas depois, a instituição de saúde conta com grandes benfeitores do Poder Público que a defendem e auxiliam em sua missão de atender os pacientes que a procuram.

Mas não era essa a realidade da época. O falecimento de Tancredo marcou a história do país. E mudou os rumos da Santa Casa também. Ele foi provedor da instituição entre 1963 e 1970, além de ser um importante protetor do espaço que socorria milhares em sua cidade natal. “Ele priorizava a saúde e a tinha como norte na atuação política. Sempre foi assim. Exatamente por isso, e por saber da importância da Santa Casa na região, ajudava no que fosse preciso para que ela continuasse de pé. Perdê-lo foi um baque pessoal e institucional”, lembra Dr. Paulo César Rangel, que viria a assumir a provedoria exatamente três anos depois.

E foi em meio ao baque e às dúvidas que um novo projeto surgiu: o SASC, plano de saúde próprio da Santa Casa da Misericórdia.


Origens

“Fui provedor entre 1988 e 1990. Assumi um cargo que já havia sido do Dr. Antônio de Andrade Reis, um dos maiores nomes da instituição; e do Tancredo. A morte dele foi equivalente à perda do pai em uma família. Passamos por uma situação complicada e lutamos tanto pela saúde dos pacientes quanto da própria Santa Casa. Era como se ela respirasse com a ajuda de aparelhos”, conta Rangel enquanto relembra a diminuição de repasses e recursos importantes para a Casa de Saúde a partir de 85. “Então percebemos que a Santa Casa precisava encontrar uma forma de caminhar com as próprias pernas. Aí comecei a acalentar um desejo: o de criar um Plano de Saúde”, conta.

A iniciativa, porém, precisava de tempo e apoio para ser implantada. Nada disso faltou. Ao apresentar a proposta ao provedor da época, Dr. Antônio de Andrade Reis Filho, Rangel recebeu motivação irrestrita e, em 1992, o SASC foi lançado oficialmente.

Uma proposta ousada para uma cidade do interior. “Imaginar uma Santa Casa com a própria operadora de saúde, naquela época, era algo muito difícil. Mas tivemos essa coragem. Deu certo”, lembra o cardiologista, que segue como auditor do plano.

O SASC é, hoje, responsável por parte dos recursos que mantêm a Santa Casa aberta. Foi o ponto de partida para a autonomia da instituição e base de sustento para momentos de crise. Atualmente, cerca de 3,5 mil pessoas contam com o plano de internação hospitalar que oferece, ainda, descontos em consultas clínicas realizadas dentro da instituição.