Checagem iodoprotéica, eletroforese das proteínas. Em 1971, quando o farmacêutico-bioquímico Eli de Oliveira Carvalho chegou a São João del-Rei, falar em ambos os procedimentos parecia ficção científica. “Além dos nomes complicados, tudo isso era novidade. Se fazer exame de sangue e urina num município tão pequeno já era ousado, imagine então esses dois”, brinca Carvalho.

Natural de Lafaiete, ele era um jovem recém-formado quando recebeu o convite do Doutor Orestes Braga para compor a equipe do Laboratório da Santa Casa da Misericórdia. Um desafio que se transformou, com o passar dos anos, em um setor consolidado e referência no Campo das Vertentes.

Atualmente, 100 pessoas passam pelo local diariamente e encontram disponíveis uma gama quase incontável de serviços em análises clínicas. Todos realizados por 15 colaboradores que se revezam em plantões para atendimento 24 horas. “O nosso trabalho é, na prática, decodificar as mensagens que o corpo está dando através de pequenas porções de materiais coletados. Estamos a postos a qualquer momento”, explica Carvalho, que chegou à região a convite do Doutor Orestes Braga.

“Ele era um homem que acreditava plenamente na Santa Casa e tinha completa devoção ao trabalho, à vontade de ver os serviços em saúde avançando e atendendo a região da forma mais completa possível”, relembra em referência ao profissional que intermediou a importação de um equipamento bioquímico quando havia apenas outros quatro em todo o Estado.

“Foi uma honra absoluta e um grande aprendizado. Aqui, tive a chance de conviver, ainda, com o Doutor Ronaldo Simões Coelho. Fui testemunha de grandes transformações, da transição entre o passado e tudo o que sabemos hoje sobre atividades laboratoriais”, explica Carvalho.

Essas transformações, aliás, não param. Após estruturação do laboratório dentro da própria Santa Casa e reforma em 2012, o setor funciona agora com recepção, sala de espera e duas áreas de coleta. Tudo isso além de ambientes técnicos de esterilização e microbiologia.