Não importa o problema: eles têm a fórmula infalível para melhorar, ao menos um pouquinho, o dia dos pacientes internados na Santa Casa da Misericórdia. Para a trupe do Doutores… Por Um Triz, basta misturar doação, solidariedade, carinho, empatia e bom humor para criar uma irresistível injeção de amor. É assim, aliás, desde 2001. E os efeitos colaterais pós-aplicação são quase imediatos, variando entre Borboletinhas no Estômago a Crises Incontroláveis de Risos.

A cada duas semanas, todos os internos na instituição filantrópica passam pelas consultas de alto-astral de verdadeiros  Risoterapeutas do Doutores… Por Um Triz. E o diagnóstico dessas quintas-feiras é um só: há esperança sempre.

A iniciativa é projeto de extensão da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e conta atualmente com 14 voluntários que levam a mesma alegria dos palhaços circenses, dos dedinhos de prosa, das brincadeiras, das piadas e de novas perspectivas a outras instituições do município, como o Albergue Santo Antônio.

“Tudo o que queremos é mostrar que, de fato, o amor contagia. Que independentemente da situação, somos todos humanos e podemos compartilhar momentos, trocar afeto. Na prática, a mensagem é ‘Você não é um paciente, você não é o leito Número Tal ou a perna quebrada. Você é uma pessoa linda e especial pra gente. Aliás, que tal dar um tempo nessa espera e transformar essa rotina?’”, explica a coordenadora do grupo, Cláudia Braga, professora do curso de Teatro.

E é a partir desse gancho que bolsas de soro se transformam em balões, peças de gesso viram lousas para colorir, silêncio se transforma em pequenos desabafos ou diálogos animados.

Todas as ações são improvisadas e vêm do coração, mas se inspiram no método de humanização do ambiente hospitalar criado por Hunter “Patch” Adams – aquele que inspirou o filme O amor é contagioso, lembra? – nos anos 70

O melhor de tudo: qualquer pessoa pode se transformar em um Doutor… Por Um Triz. Basta ter boa vontade e entrar em contato com a equipe. “Os novos membros, sejam alunos da UFSJ ou não, passam por um treinamento conosco para adaptação, desenvolvimento. Mas a verdade que sempre defendemos é: todo ser humano pode ajudar outro. Sempre. É um talento que nasce com todos nós”, frisa Cláudia.

O faz, aliás, com o rosto radiante e confiança no tom de voz. Mais do que idealizadora e voluntária do projeto, a professora de Teatro diz que é, também, uma beneficiada com o trabalho do Doutores. “Somos sempre tocados pelo que vivenciamos nas visitas e saímos transformados. Ver um rostinho triste ficar radiante, nascer a esperança no olhar de alguém ou simplesmente ouvir uma risada num quarto antes silencioso é das melhores sensações. Fazer o bem faz bem à saúde”, sorri.

O mesmo defende a voluntária Déborah Vieira: “A gente percebe que um sorriso também remedia. Na realidade, acabei descobrindo que ser doutora-palhaça me realiza. Sigo no trabalho por amor e alegria: amor às pessoas e ao trabalho que o grupo faz; alegria que proporcionamos e é proporcionada a nós também”.

Quem quiser conhecer, auxiliar ou integrar o trabalho voluntário deve entrar em contato através do email doutoresporumtriz@gmail.com.